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Foto: Facebook
EDUARDO BRITO
( BRASIL - PARÁ )
Natural do Pará, mas radicado na capital paraibana, Eduardo Brito contou como começou na fotografia. “Me sinto no direito de dizer que sou paraibano, mas com orgulho de ter uma origem nortista. Comecei a fotografar numa tentativa de me encontrar no mundo. Foi em busca de me realizar profissionalmente que construí minha vocação”, afirmou, destacando que seu primeiro contato foi a fotografia por meio de fotos da sua mãe, que faleceu quando ele tinha apenas três anos de idade.
Sobre sua relação com a poesia, Eduardo Brito relata que não se considera poeta. “Escrevo para me manter vivo. Quando falta o ar no peito, é escrevendo que volto a respirar. Gosto de poesia, mas não me considero poeta”, confessou.
ANTOLOGIA SELVAGEM: UM BESTIÁRIO DA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA/ Alexandre Bonafim, Claudio Daniel e Fábio Júlio (org.) - Franca, SP: Cavalo Azul, 2025. 372 p. ISBN 978-65-83644-11-4
Exemplar da biblioteca de SALOMÃO SOUS
A ave e a calma
A calma é uma ave que passa e vem, pousa e repousa,
Mas aqui não há mais área para que pousos se deem.
A ave não é calma: precisa comer e beber água,
e evitar qualquer ser que lhe faça presa.
A ave é uma calma invertida:
sonho de paz no coração das demandas.
A ave não quer nenhuma lógica (ou é a rainha delas?)
nidifica, voa, pousas — figuração da vida em si mesma.
Em menos de moléculas do cronograma do dia
ele reina absoluta numa paz conquistada.
Paz repousada: quando depois do voo se finaliza.
Quando encontra uma brecha nas cerdas da coroa
[em que se deita.
É aquela paz mesma, microfínea, que se traduz
[em calma
e que se traduziria em nós se soubéssemos pousá-la.
Mas não há mais área nossa para que pousos se deem,
ainda que a calma exista e se uma ave que vem,
[pousa e repousa.
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Página publicada em março de 2026.
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